QUENTIN TARANTINO abril 5th

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Seis homens, trajando ternos absolutamente iguais, tomam o seu café da manhã em uma lanchonete. Discutem sobre o significado da canção “Like a Virgin”, de Madonna. Questionam a legitimidade de se deixar – ou não – a gorjeta para o garçom. Então, os homens se levantam e partem para mais um dia de trabalho. No caso, o assalto a uma joalheria que se transforma em um banho de sangue. Assim começava “CÃES DE ALUGUEL”, o primeiro filme de um jovem cineasta que assombraria o mundo com pouco mais de 90 minutos de tiros, palavrões, reviravoltas e inúmeras citações a cultura pop. A criatividade e a ousadia da história era a estréia perfeita do diretor Quentin Tarantino. 

 Tarantino 2

Em 1992, quando dirigiu “CÃES DE ALUGUEL”, Quentin Tarantino e seu produtor Lawrence Bender costumavam brincar que eram as pessoas menos experientes no set de filmagem. Tarantino era balconista de uma locadora de vídeo em Los Angeles. Nas horas vagas, escrevia roteiros onde já era possível encontrar diálogos repletos de referência culturais, principalmente de filmes que ninguém nunca vira antes. Suas narrativas já eram cheias de idas e vindas e, a violência, usada de uma maneira que, para muitos, beira o mal gosto. Mas são todos estes elementos juntos que viriam a definir o que conhecemos como “um filme de Tarantino”.

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Os roteiros escritos por Tarantino renderam bons filmes nas mãos de outros diretores. Oliver Stone (de “PLATOON” e “NASCIDO A 4 DE JULHO”), dirigiu “ASSASSINOS POR NATUREZA” e causou polemica ao mostrar como a sociedade americana idolatra seus criminosos. Já “AMOR A QUEIMA ROUPA”, de Tony Scott, pega mais leve – mas nem tanto. Trata-se de uma singela história de amor envolvendo dois jovens que roubam uma mala cheia de cocaína e rumam para Hollywood – onde pretendem fazer fortuna vendendo a droga para executivos da indústria – gente que Tarantino conhece tão bem.

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Em 1994, Tarantino conquista o mundo. Seu segundo filme, “PULP FICTION”, é aclamado com a Palma de Ouro em Cannes, recebe sete indicações ao Oscar (venceu a de roteiro original) e conquista um legado de fãs que o cultuam. São três historias ambientadas no mundo do crime que se entrelaçam de maneira inusitada. Não é exagero dizer que o filme se tornou um fenômeno cultural em todo o mundo. O roteiro, lançado em forma de livro, e o CD com a trilha sonora, tornaram-se best-sellers imediatos.

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VINCENT
Você sabe como eles chamam o Quarteirão com Queijo em Paris?
JULES
Eles não chamam de Quarteirão com Queijo?
VINCENT
Não, por causa do sistema métrico deles, eles não sabem que porra é quarteirão.
Eles chamam de Royale with Cheese.

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O grande elenco de “PULP FICTION” traz Uma Thurman, Samuel L Jackson, Bruce Willis, Harvey Keitel e um John Travolta vários quilos mais gordo – alias, foi a partir deste filme que o diretor ganhou a fama de recuperar a carreira de seus astros e estrelas. Quem já assistiu sabe que não há como desassociar a imagem de Uma Thurman e a canção ‘Girl, You’ll Be a Woman Soon’:

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Em várias entrevistas, Quentin Tarantino já revelou que boa parte da inspiração para as cenas de seus filmes vem das músicas que ele ouve. Algumas das sequências mais memoráveis foram escritas depois da escolha da trilha sonora. A inspiração pode vir de qualquer lugar – a memória de Tarantino é daquela privilegiadas – mas chega principalmente das centenas de CDs e discos de vinil que ele coleciona.

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 “JACKIE BROWN”, o terceiro filme dirigido por Quentin Tarantino, é um grande exemplo desta escolha cuidadosa de imagem e som. O filme mereceu por parte dele uma impecável trilha de R&B dos anos 70. A música soul é essencial para contar a história de uma comissária de voo que se envolve com traficantes de armas. Desta vez, Tarantino usou e abusou de um romance do escritor Elmore Leonard para criar uma narrativa totalmente influenciada pelo cinema negro do final dos anos 60 e início dos 1970: o blaxploitation. Para estrelar, escolheu a dedo Pam Grier, – a rainha do gênero e ícone sexual dos anos 70 – e também o experiente Robert Foster para viver um agente de fianças. Os dois atores veteranos, porém sem nenhum papel de destaque há anos, tiveram suas carreiras revitalizadas. E Tarantino os presenteou com uma de suas canções favoritas para servir de tema do casal.   

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A esta altura, a figura singular de Tarantino já era tão conhecida quanto o seu estilo de filmar. Ele passou a produzir filmes de amigos, como os do mexicano Robert Rodriguez, quase sua alma gêmea. Mas, seis anos depois de JACKIE BROWN, o público ansiava por mais. Todos queriam um “Tarantino puro”. Então, ele ofereceu não um, mas dois (!) filmes para fã nenhum botar defeito.

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KILL BILL Volumes 1 e 2 são uma história de “vingança desenfreada”, nas palavras de sua protagonista, vivida por Uma Thurman. Separados em dois filmes, por imposição dos produtores que viram a chance de faturar alto, é um tributo aos filmes de artes marciais. A trilha sonora é um caso a parte: só mesmo uma mente insana para reunir gente do calibre de Bernard Herrmann, o maestro colaborador de Alfred Hitchcock, Luis Bacalov, respeitado compositor de trilhas sonoras de faroestes e histórias bíblicas (vencedor do Oscar por “O CARTEIRO E O POETA”) e Ennio Morricone, que dispensa apresentações para qualquer cinéfilo, com interpretações inspiradas de Nancy Sinatra, do papa da black music, Isaac Hayes, de Johnny Cash e Malcolm McLaren (dos Sex Pistols). O resultado: uma trilha clássica que pontua com perfeição as duas partes de KILL BILL! E olha que a gente ainda nem falou de um duelo mortal de espadas ao som de…. Santa Esmeralda!

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Tarantino se tornou, por mérito próprio, um diretor tão cultuado quanto Hitchcock, Woody Allen, Almodóvar ou Fellini. Não importa o gênero, todo mundo sabe o que vai encontrar em um filme de Tarantino. Por isso mesmo, nada mais verdadeiro do que o trailer de “BASTARDOS INGLÓRIOS” anunciar: “você não viu a guerra até a ver com os olhos de Quentin Tarantino”.  O quinto filme do diretor tem trama ambientada na 2ª Guerra Mundial, e é tão ousado que ninguém estranhou quando ele decidiu reescrever a história como a conhecemos. Em “BASTARDOS INGLÓRIOS”, Brad Pitt é Aldo Reine, um coronel americano que deixa bem claro para os seus soldados judeus: cada um deles lhe deve 100 escalpos nazistas.

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Isso mesmo, em plena França ocupada, Pitt e seus soldados saem espalhando o terror entre os alemães. Seus caminhos se cruzam com o de uma jovem judia que prepara o seu próprio plano de vingança contra os nazistas e com o do implacável Hans Landa – um coronel da SS magistralmente interpretado pelo ator austríaco Christoph Waltz.

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Em “DJANGO LIVRE”, Tarantino mostra mais uma vez porque entrou para a história do cinema como um cineasta que criou um gênero de filme. Não importa se vamos ver as consequências de um assalto a uma joalheria, a vingança de uma guerreira ninja ou um plano para acabar com os nazistas, a visão de Tarantino tem as suas próprias peculiaridades: violência exagerada, diálogos absurdos, combinações acertadas na trilha sonora… tudo isso esta presente em sua homenagem aos bons e velhos faroestes. Django (Jamie Foxx) é um escravo em busca da mulher amada. Ele é libertado pelo Dr. King Schultz (Christoph Waltz) um caçador de recompensas alemão de fala requintada e mira perfeita para, juntos, encontrarem Calvie Candie (Leonardo DiCaprio), um sádico fazendeiro que detém a posse de dezenas de escravos, inclusive a mulher de Django. Em quase três horas de filme, Tarantino nos brinda com uma explosão de sangue, humor inusitado, personagens marcantes e seu estilo único. A participação de Samuel Jackson, envelhecido como um escravo racista e bajulador e do próprio Tarantino, em um papel pra lá de explosivo na metade final do filme, já valem o ingresso.

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Na Comic-Con de San Diego, ano passado, a produtora The Weinstein Company divulgou o primeiro pôster de “THE HATEFUL EIGHT”, novo filme dirigido por Quentin Tarantino com data de estreia prevista para novembro deste ano. “THE HATEFUL EIGHT” é um faroeste passado poucos anos após a Guerra Civil Americana. Depois que uma diligência desvia da sua rota por conta de uma tempestade de neve, um grupo de “oito detestáveis” estranhos fica preso em um saloon no meio do nada. No elenco estão Samuel L. Jackson (Major Marquis Warren), Kurt Russel (John “The Hangman” Ruth), Jennifer Jason Leigh (Daisy Domergue), Walton Goggins (xerife Chris Mannix), Tim Roth  (Oswaldo Mobray), Michael Madsen (Joe Gage) e Bruce Dern (General Sanford Smithers). Channing Tatum e Demian Bichir fazem participações especiais.

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 Tarantino já deu entrevistas avisando que “THE HATEFUL EIGHT” será um filme ‘menor’ que “Django Livre”, no mesmo estilo de “Jackie Brown”. Mas quem acompanha as entrevistas do cineasta sabe que melhor é acreditar desconfiando. Tarantino já havia apontado a possibilidade de fechar uma trilogia iniciada com Bastardos Inglórios e Django Livre contando a história de soldados negros na II Guerra Mundial, de um spinoff de Bastardos Inglórios chamado Killer Crow, de um filme sobre gângsteres e até de outro western. Isso tudo antes, claro, de sua suposta aposentadoria, que ele planeja para “antes de ficar velho”. Que já nos deixa com aquele gostinho de queremos mais Tarantino. Muito mais! 

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  • Diretor - Tod Browning
  • Ano - 1931
  • Idioma - English Magyar
    • Bela Lugosi
    • Carla Laemmle
    • Charles K. Gerrard
    • David Manners
    • Dwight Frye
    • Edward Van Sloan
    • Frances Dade
    • Helen Chandler
    • Herbert Bunston
    • Joan Standing

    The legend of vampire Count Dracula begins here with this original 1931 Dracula film from Bela Lugosi.

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