BIRDMAN fevereiro 2nd

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“BIRDMAN”, um dos favoritos na corrida pelas estatuetas do Oscar deste ano, chega acompanhado de um estranho subtítulo: “A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA”. Desta vez não se trata de nenhum excesso de criatividade dos responsáveis por adaptar títulos dos filmes no Brasil. A excentricidade vem do diretor e também autor do roteiro, o diretor mexicano Alejandro González Iñárritu. O cineasta não costuma entregar filmes “comuns”. Ele já provou isso com alguns bons filmes como “AMORES BRUTOS”, “21 GRAMAS” e (o mais convencional) “BABEL”.

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Iñárritu nos convida para deixarmos de lado o papel de espectador na plateia de um cinema para nos transformar em testemunhas ocular dos bastidores de uma peça de teatro da Broadway. Lá dentro acontece de tudo: a peça é uma adaptação de um autor consagrado, mas foi escrita, produzida e estrelada por Riggan Thomson um ex-ator de Hollywood que, no passado, protagonizou uma série de filmes de gosto duvidoso sobre o super-herói Birdman. Thomson quer ser reconhecido como um ator sério, alguém que seja lembrado por sua relevância. Mas a poucos dias da estreia, ele está é à beira de um colapso nervoso. A montagem precisa ser um sucesso ou ele estará falido; sua relação com a filha vai de mal a pior; a namorada avisa que está grávida e o ego de um ator que se consagrou nos palcos pode por tudo a perder. E tudo isso acontece enquanto ele é assombrado pela voz do seu alter-ego, Birdman em asas e penas.

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Uma história como este daria pano pra manga para uma comédia rasteira ou um drama daqueles que querem desvendar o que há por trás de um espetáculo cultural, mas BIRDMAN vai bem além deste horizonte. Pra começo de conversa, Iñarritu é um exímio diretor de atores: que o digam profissionais do calibre de Sean Penn, Benicio del Toro, Cate Blanchet, Javier Barden. Agora é a vez de Michael Keaton, Edward Norton e Emma Stone brilharem sob sua batuta. Eu nunca vi (e nem imaginei) que Michael Keaton fosse capaz de atuar como ele atua em BIRDMAN – é o papel de sua vida, até mesmo pelo paralelo fácil de ser feito entre a carreira do personagem principal e do ex-Homem Morcego. Edward Norton hipnotiza na figura detestável de um ator de teatro que, segundo ele mesmo, só consegue ser verdadeiro em um palco. E Emma Stone, como a filha que se sente abandonada pela astro que nunca foi um bom pai.

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Não bastasse esta trinca de ases (e olha que o elenco conta também com Naomi Watts, Zach Galifianakis e Amy Ryan), o diretor simula um filme totalmente sem montagem – isso não é nenhuma novidade, eu sei (quase 70 anos atrás, Hitchcock já fazia isso com maestria em Festim Diabólico). Mas contando com os melhores recursos técnicos disponíveis hoje, a câmera do diretor nos revela cada meandro da vida de seus personagens. Essa montagem nos torna cúmplices de suas neuroses, loucuras, medos e frustações. O roteiro engata uma discussão sobre o teatro como uma forma de arte “autêntica” e o cinema, com seus “subprodutos de massa”. Faz o mesmo com as celebridades instantâneas que no surgem nas redes sociais. Em tempos como esse, faz sentido alguém ainda querer ser reconhecido por sua obra? Não espere respostas para essas perguntas… Com seu BIRDMAN, Iñarritu voa alto.

Birdman CAPA

 

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  • Diretor - Alejandro González Iñárritu
  • Ano - 2014
  • Idioma - English
    • Amy Ryan
    • Andrea Riseborough
    • Edward Norton
    • Emma Stone
    • Lindsay Duncan
    • Merritt Wever
    • Michael Keaton
    • Naomi Watts
    • Zach Galifianakis

    A fading actor best known for his portrayal of a popular superhero attempts to mount a comeback by appearing in a Broadway play. As opening night approaches, his attempts to become more altruistic, rebuild his career, and reconnect with friends and family prove more difficult than expected.

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